sexta-feira, 16 de abril de 2010

quando a dor dói de verdade
você logo sabe
é dor que não destrói tudo
pelo contrário
é dor que fura bem fundinho
um pequeno buraquinho
é dor que machuca devagar
é dor tão doída
que só de pouco em pouco
é que dá pra aguentar
quando a dor dói de verdade
todo mundo logo sabe
é dor que veio pra ficar
é dor que faz lembrar do início
é dor que faz pensar no fim
quando a dor dói de verdade
toda a gente logo sabe
a dor mais forte é mais exata
espeta cada parte
é dor que ata
dor que lembra da infância
dor que assusta morte
essa dor é a mais forte
é cada um à sua sorte

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

a água passa do fervendo pelo pó.
vira preto. vira densa. reesquenta?
ela pinga. vira outra. fica só.
mas e ele?
vira bolha, vira massa, descolore.
se aroma. evapora. descafé.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

a gente sempre tem medo antes, acha que não vai ter clima e não aguenta... acha que tem que fugir.. até que acorda num sábado, por acaso, carnaval, e uma musiquinha de longe faz vc bater o pezinho... de repente andando saltitante pela rua, vê um isopor e sem querer compra uma cerveja, quando olha no relojo, lembra que ainda são 8 da matina, bebe mais um gole, tropeça nos confetes, encontra um grupinho de felizes errantes pula mais, percebe que agora começou a cantar, segunda latinha, a música cresce, vc pula, você gargalha, pronto, chegou, você é a alma do bloco, rainha da bateria, foliã maior e se esquece de lembrar que a feliciadade existe. e isso é carnaval.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

o mar e o sertão

tem mais presença em mim tudo aquilo que não sou eu...? ou tudo o que sou eu é a falta do que não está? Levanta da cama para a direita com o pé esquerdo. Luz, luz, e tudo não fica claro. A garrafa de água esvazia goela seca abaixo, o estômago continua oco e deseja mais. O desejo de mais é furioso. Ela tem medo. Tem medo dela mesma. Tem medo do seu medo. As costas doem, é o buraco do que não há. Tapa, tapa, rápido… e agora, como faz? Não tem mais cartas, não tem mais as palavras, não tem mais o telefone… e agora? Tapa tapa, rápido… e ela rasteja. Água acabou, luz não ligou. Engatinhando lágrimas: a pilha de livros. Mão rápida rasteja, tapa, tapa, um! Ela encontra, o primeiro, o primeiro livro. A mão rápida folheia e os olhos embaçados encontram. As costas ainda não sosegam. "Meu amor, escrevo no fim do livro porque vou te amar até o fim da vida…”. Respira, engole e vai até o fim. Acabou. Mais um, rápido, tapa tapa. Não há mais telefones, não existem palavras. É tudo solidão e tudo o que ela é agora é aquilo que não há. Tem um pequeno ali, magrinho, é ele, é mais antigo, vai: “Impossível não te amar”. Mais, mais mais, “Você me deixa muito mais feliz do que qualquer comida”. Água molha o chão, parece que vai inundar, ela pensa que assim fica tudo preenchido, será que assim o buraco some? Tapa, tapa, mais. “Olhe seu mar que ele é doce lindo que só”. Seu mar… ela parou. Em volta, ali já estava ele, e era salgado agora. Tentou lembrar se já foi doce. E esqueceu que gosto é esse. Teve medo de comer chocolate e descobrir o gosto das águas nunca dantes navegadas. Lembrou que a velocidade é só o tempo da sua respiração. Parou e flutuou no mar que, pelo menos, ainda não era o sertão.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

o verão é tomar banho de água fria todo dia.
a vida é lembrar de ligar a vitrola a cada minuto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

tenho a dureza do mundo em mim. dormir querendo acordar e acordar querendo dormir...