quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

a gente sempre tem medo antes, acha que não vai ter clima e não aguenta... acha que tem que fugir.. até que acorda num sábado, por acaso, carnaval, e uma musiquinha de longe faz vc bater o pezinho... de repente andando saltitante pela rua, vê um isopor e sem querer compra uma cerveja, quando olha no relojo, lembra que ainda são 8 da matina, bebe mais um gole, tropeça nos confetes, encontra um grupinho de felizes errantes pula mais, percebe que agora começou a cantar, segunda latinha, a música cresce, vc pula, você gargalha, pronto, chegou o carnaval, você é a alma do bloco, rainha da bateria, foliã maior e se esquece de lembrar que a feliciadade existe. e isso é carnaval.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

o mar e o sertão

tem mais presença em mim tudo aquilo que não sou eu...? ou tudo o que sou eu é a falta do que não está? Levanta da cama para a direita com o pé esquerdo. Luz, luz, e tudo não fica claro. A garrafa de água esvazia goela seca abaixo, o estômago continua oco e deseja mais. O desejo de mais é furioso. Ela tem medo. Tem medo dela mesma. Tem medo do seu medo. As costas doem, é o buraco do que não há. Tapa, tapa, rápido… e agora, como faz? Não tem mais cartas, não tem mais as palavras, não tem mais o telefone… e agora? Tapa tapa, rápido… e ela rasteja. Água acabou, luz não ligou. Engatinhando lágrimas: a pilha de livros. Mão rápida rasteja, tapa, tapa, um! Ela encontra, o primeiro, o primeiro livro. A mão rápida folheia e os olhos embaçados encontram. As costas ainda não sosegam. "Meu amor, escrevo no fim do livro porque vou te amar até o fim da vida…”. Respira, engole e vai até o fim. Acabou. Mais um, rápido, tapa tapa. Não há mais telefones, não existem palavras. É tudo solidão e tudo o que ela é agora é aquilo que não há. Tem um pequeno ali, magrinho, é ele, é mais antigo, vai: “Impossível não te amar”. Mais, mais mais, “Você me deixa muito mais feliz do que qualquer comida”. Água molha o chão, parece que vai inundar, ela pensa que assim fica tudo preenchido, será que assim o buraco some? Tapa, tapa, mais. “Olhe seu mar que ele é doce lindo que só”. Seu mar… ela parou. Em volta, ali já estava ele, e era salgado agora. Tentou lembrar se já foi doce. E esqueceu que gosto é esse. Teve medo de comer chocolate e descobrir o gosto das águas nunca dantes navegadas. Lembrou que a velocidade é só o tempo da sua respiração. Parou e flutuou no mar que, pelo menos, ainda não era o sertão.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

o verão é tomar banho de água fria todo dia.
a vida é lembrar de ligar a vitrola a cada minuto.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

tenho a dureza do mundo em mim. dormir querendo acordar e acordar querendo dormir...

sábado, 29 de agosto de 2009

Acordou correndo com a cara afundada na privada. As palavras escorregavam pela língua fazendo splash lá em baixo. Ufa, pensou em forma de imagem. Teve certeza de que gastara todas as palvras agora. Apertou a descarga mais feliz do que nunca e saiu andando, muda, pelas árvores do vizinho.

quinta-feira, 21 de maio de 2009



aquela voz que era veneno, dos mais fortes,
vinha embrulhada em frasquinho de perfume, dos mais belos.
em frente ao espelho, arrancou de uma vez só as duas orelhas.
saiu andando, o sangue ainda pingando.
sorria leve e cega pela rua colorida de uma tarde de outono.