terça-feira, 14 de setembro de 2010

Todo dia acordo doendo e vou dormir cicatrizando. nada como o tempo de um dia para fazer a dor da manhã se transformar em serenidade noturna. Será que podemos começar acordar de noite e se anestesiar de sonhos logo antes de chorar?
sonhei que era orfã. acordei mais forte hoje.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

APERTE O PLAY e escute em outra janela enquanto lê

Sua mão segura na maçaneta. Abre. Entrou.
A sede dirige-se direto à muitos copos d’água.
A ferida segura-se na pilastra de madeira bonita e respira fundo pra deixar aquela musica entrar.
Ela sabe cantar a letra e se emociona porque a cantava com sua mãe quando pequena.
Esquece de prestar atenção na letra que já conhece.
O medo faz parar na imagem do passado e ficar guardada ali quentinha.
A infância, a mãe, a musica.

Ele.
Ele entra voando no quarto de criança junto com a voz de John Lennon.
Só então ela se dá conta de que entenede o que ele canta e é bonito.
Fica confusa: identifica-se com a letra ou identifica-o com ela?
Não importa.
O que importa é a intensidade da força dessa imagem.
A água continua correr pela garganta, a mão ainda segura na pilastra, o quarto e a musica.
E ela e ele brincam tão felizes.

Ué mas naquela época ele não estava lá.
Mas ele chegou depois e de tão intenso até lá foi amar com ela. Os dois.
Um abraço e um vôo. Tudo juntos.

O relógio despertou a hora certa.
A outra porta se abriu. Vamos começar.
O pé pisa sala a dentro.
Ela se senta no sofá.
A água escorre quente a fora.
E ela piscou mais um dia e apesar de ter medo tem coragem de falar em voz alta que acredita que eles ainda vão sorrir de mãos dadas.

Replay? É tudo forte demais para ouvir o mesmo não diferente.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

sempre teve, desde que nasceu, uma mariposa tatuada no lado esquerdo da asa. mas não sabia. até voar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010




Familiarmente-estranha a sensação de redescobrir, de tanto em tanto tempo, as mesmas coisas todas de novo, mas sempre com casquinhas diferentes. (ou recheio colorido).

Somos a vida toda como uma criança que só gosta de ver os mesmos filmes sempre de novo, ouvir as mesmas historinhas dos pais e ler os mesmos livrinhos de novo e de novo.

Somos a vida toda como o anciãos, no fim da idade, com o eterno esquecimento, e a lembrança de que nada é sempre o mesmo e que tudo se repete.

Mais uma vez descubro o medo de mim mesma. Mais uma vez, sou eu que não consigo escolher. Mais uma vez, me lembro de novo: o próximo passo, só eu posso dar.

De novo paraliso.

De novo quero correr pra trás e repetir tudo mais uma vez.

De novo quero achar que pra frente é sempre tudo diferente!

Tudo não é.

Será que esse tijolo pode ser amarelo? Será que nesse abismo-limbo do presente + 1 é possível dar um salto?

Um passo. Eu passo. Não caio.

Eu quero.

Consigo?

Contigo?

Não sei.

Mas.

De novo.

O novo.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

tropeça em pedrinhas só para poder olhar para o céu.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

fixed picture

Why doesn’t him stop talking?
This voice in the subway.

Why doesn’t him stop singing?
This sound inside my ears.

Why doesn’t him stop being?
This image all over my heart.




CARTOGRAFIA DE LACUNAS 7