segunda-feira, 21 de junho de 2010

TUM TUM PÁ




Pós vinho-Pós batalha
Pós noites sem dormidas
Pós barriga em casamento no estrangeiro

Nossa história começa no exato ponto onde acaba a deles
E tudo se passa num instante em que, de fato, não há tempo decorrido
É menos do que a menor fração de segundo
E de tão pequena nossa história tende ao nada
Em um quase-ilusório-triz-di-minuto
Um coração de sangue e Tum Tum Tum
Explodiu
Já é passado e ainda nem chegou no presente
Quantas frações de segundo são necessárias
para o coração deixar de existir?
A moça ao lado no metrô puxa da bolsa: o fone!
Agora vive em seu trilho próprio
Qual será o nosso?
O ruído toma conta dela (eu?)
A musica é a maior das humanidades
Não há coração explodido que agüente
Shhhhh – silêncio – ainda tento dormir




CARTOGRAFIA DE LACUNAS 2

quarta-feira, 9 de junho de 2010

a distancia e o caminho


imagem serie variações do preto




1

a distancia e o caminho

tem roxo, tem preto.
tem uma camada que conserva um pouco do calor. mas não esquenta.
e tem também ar frio que escorre entre cada buraquinho.

como é que foi que de coisa boa virou insossa?
como é mesmo o caminho da distancia?
mas se é caminho já é distancia?
mas se é distancia não são sempre dois caminhos?
acho que plural agora serve.
acho que sempre serviu.
acho que ninguém nunca pode prever.
mas tem alguma coisa perversamente repetida nessa historia.
não a minha, sua historia.
sua não, terceira pessoa.
claro, terceira, segunda não, no caminho veio a distancia
esqueceu?
eu sempre esqueço.

eu tenho a melhor memória do mundo: sempre esquece o que importa.

um viva às desimportancias.

me ajuda a lembrar, ao que é mesmo que se deve brindar?
se festeja o amor? é isso? mas... é isso o que?
rir-se da alegria, ah não, redundou de novo (ih, de novo).

de novo:
rir-se do ópio nosso de cada dia.
acho que disso choramos.

mas proponho: um brinde, viva o ópio do coletivo individualista.

ah, de novo:
tem roxo, tem preto.
e tem no amarelo esse cheiro que de manhã rasga, mas é o perfume noturno dos não-amantes.

saúdo então os levedos que fizeram desde sempre a fermentação alcoólica que não foi nunca láctea, graças a deus.

pausa para pouso da mosca.
o que ela traz na pata, pé, antena?

o que que ele te trouxe?

tem mais um gole, desce e abraça frio o calorzinho que já ia te acomodando.
a dama da noite precisa trabalhar para que eu me lembre finalmente do que é motivo de brinde..

lembrei que sempre soube que os sorrisos e serenatas eram anti-transpirantes., eles eram relaxantes musculares e faziam dormir como nunca. só lembrei agora,.
Lembrei que essas fagulhas engessaram mãos no teclado, engessaram a memória esquecida, esse olho que nunca brilhou, mas é asssim que foi pintado, ele, o olho né, fechou muito, ele focou demais e sem o foco doce, meu amigo, não a brinde que sustente.


de novo:
tem preto, só vejo isso. e o branco.
tinha uma moça sentada e bela.
tinha uma moça que gostava de ser amarela.
brincava de brincar que fazia sentido.
e fingia que juntava de brincar com as palavras.
ela gostava de andar porque o vento fazia frio.
e gostava de parar porque o sol fazia luz quente.

no sinal, encruzilhou de branco listrado, e lembrou de olhar pro céu.
mas quando viu a nuvem tão longe, tão branca. quando viu a nuvem tão serena e de contorno azul.
lembrou que flutuar no fundo do ar que nunca foi vermelho sempre foi o seu sorriso.


nada de novo:
ela não entende alemão.
muito menos porque lembrou de pensar isso.
acho que queria pensar em francês.
ok. ela entende muito pouca coisa.
ela sabe que do caminho ela não sai.
ela sabe que distancia as vezes dói.
mas ela lembrou, apesar de memória desmemoriada. que tem que descruzilhar o caminho com distancia, meu deus, foi bem nesse sinal que ela parou e viu o ceu azul e nuvem rindo.


novo fim:
dos idos de sua memória do futuro, sorriu com a distancia.
torrou com sol amarelo, esqueceu do que era cor de preto e
mais um gole por favor.



http://www.youtube.com/watch?v=eo3Hkqw_KRM



CARTOGRAFIA DE LACUNAS 1

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quando a dor dói de verdade
você logo sabe
é dor que não destrói tudo
pelo contrário
é dor que fura bem fundinho
um pequeno buraquinho
é dor que machuca devagar
é dor tão doída
que só de pouco em pouco
é que dá pra aguentar
quando a dor dói de verdade
todo mundo logo sabe
é dor que veio pra ficar
é dor que faz lembrar do início
é dor que faz pensar no fim
quando a dor dói de verdade
toda a gente logo sabe
a dor mais forte é mais exata
espeta cada parte
é dor que ata
dor que lembra da infância
dor que assusta morte
essa dor é a mais forte
é cada um à sua sorte

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

a água passa do fervendo pelo pó.
vira preto. vira densa. reesquenta?
ela pinga. vira outra. fica só.
mas e ele?
vira bolha, vira massa, descolore.
se aroma. evapora. descafé.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

a gente sempre tem medo antes, acha que não vai ter clima e não aguenta... acha que tem que fugir.. até que acorda num sábado, por acaso, carnaval, e uma musiquinha de longe faz vc bater o pezinho... de repente andando saltitante pela rua, vê um isopor e sem querer compra uma cerveja, quando olha no relojo, lembra que ainda são 8 da matina, bebe mais um gole, tropeça nos confetes, encontra um grupinho de felizes errantes pula mais, percebe que agora começou a cantar, segunda latinha, a música cresce, vc pula, você gargalha, pronto, chegou, você é a alma do bloco, rainha da bateria, foliã maior e se esquece de lembrar que a feliciadade existe. e isso é carnaval.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

o mar e o sertão

tem mais presença em mim tudo aquilo que não sou eu...? ou tudo o que sou eu é a falta do que não está? Levanta da cama para a direita com o pé esquerdo. Luz, luz, e tudo não fica claro. A garrafa de água esvazia goela seca abaixo, o estômago continua oco e deseja mais. O desejo de mais é furioso. Ela tem medo. Tem medo dela mesma. Tem medo do seu medo. As costas doem, é o buraco do que não há. Tapa, tapa, rápido… e agora, como faz? Não tem mais cartas, não tem mais as palavras, não tem mais o telefone… e agora? Tapa tapa, rápido… e ela rasteja. Água acabou, luz não ligou. Engatinhando lágrimas: a pilha de livros. Mão rápida rasteja, tapa, tapa, um! Ela encontra, o primeiro, o primeiro livro. A mão rápida folheia e os olhos embaçados encontram. As costas ainda não sosegam. "Meu amor, escrevo no fim do livro porque vou te amar até o fim da vida…”. Respira, engole e vai até o fim. Acabou. Mais um, rápido, tapa tapa. Não há mais telefones, não existem palavras. É tudo solidão e tudo o que ela é agora é aquilo que não há. Tem um pequeno ali, magrinho, é ele, é mais antigo, vai: “Impossível não te amar”. Mais, mais mais, “Você me deixa muito mais feliz do que qualquer comida”. Água molha o chão, parece que vai inundar, ela pensa que assim fica tudo preenchido, será que assim o buraco some? Tapa, tapa, mais. “Olhe seu mar que ele é doce lindo que só”. Seu mar… ela parou. Em volta, ali já estava ele, e era salgado agora. Tentou lembrar se já foi doce. E esqueceu que gosto é esse. Teve medo de comer chocolate e descobrir o gosto das águas nunca dantes navegadas. Lembrou que a velocidade é só o tempo da sua respiração. Parou e flutuou no mar que, pelo menos, ainda não era o sertão.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

o verão é tomar banho de água fria todo dia.