sexta-feira, 6 de junho de 2008

sodade meu bem, sodade




Acabara de escorrer o café fresco e foi lavar o filtro deixando pingar o restinho na pia. Ela olhava aquele líquido marrom se espalhando pelo mármore branco, se misturando com a água que caia lenta da torneira, e não conseguia parar de achar, mesmo sabendo da verdade, que era sangue que escorria ali. Estamos a salvos, todos os seres, pois a saudade, e isso parece sabedoria divina, nunca nos traz a intensidade real da presença diante do objeto amado e distante. caso contrário, a saudade, certamente, estaria fadada a ser nada menos do que a pior das doenças, a mais fatal. Largou o filtro de café num susto terminado esse pensamento, respirou fundo e voltou à sua sala onde escreveria emails e projetos o dia todo e se esqueceria de sua saudade que ia continuar sangrando sem que ela se desse conta.

4 comentários:

Anônimo disse...

esse titulo é referencia a pena branca e xavantinho?

Mariana Kaufman disse...

é referência a uma música que para mim é do cancioneiro popular e aredito que existe bem antes da dupla... "sodade meu bem sodade..."

Carleto Gaspar 1797 disse...

Sodade de meu Cabo Verde...

Anônimo disse...

El camiño para San Tome...