
Quando feliciana chegou em casa naquela noite nada mais parecia o mesmo. E nada mesmo era o que antes havia sido. Nem noite era. Madrugada sem hora de precisão, cor furta no céu e desfocado na cama, apesar de ser novinha em espuma, pelo menos era confortável. Colchão virgem, pronto a amaciar-se ao primeiro que lhe tocasse, nem o leito já era o mesmo. Tudo estava outro.
O copo agora listrado comportava apenas água transparente. As habituais fumaças cinzas passaram a fazer no ar funis e olhos de tornados que tinham um nome próprio de ser mas agora ela havia esquecido.
Feliciana olhava tudo em semitom, semicilio, semiretícula toda aberta. Mas o todo agora era outro e se fechava por inteiro.
Feliciana andou pra um lado e outro e deu na varanda, tocando as árvores do outro lado da rua de concreto reparou no que havia em cima e quando foi se dar conta, Feliciana estava mesmo de fato avistando outro lado, o lado de dentro. Da pontinha da cabeça até a raiz do pescoço tudo aquilo ela via. Era mesmo um globo o tal ocular, e girou e girou parando como a sorte de bingo no lado avesso da roleta.
Nunca tinha se deparado com aquilo antes, pensou calmamente e intrigada a senhorita abismada. Andou de volta ao inicio desabitado e foi parar no porão, que nunca antes existira, daquele apartamento um tanto velho desconhecido.